Banner do Blog

E o método BLW?

Imagem do post

O projeto ‘Comida de Bebê’ propõe que a introdução alimentar seja baseada no padrão alimentar tradicional brasileiro: a combinação de arroz, feijão, hortaliças e carne. A nossa dieta, testada por séculos e séculos, é superbalanceada e garante todos os nutrientes de que a gente precisa. O projeto está baseado no entendimento de que a introdução alimentar é uma oportunidade de melhorar a alimentação da família inteira e também de apresentar hábitos saudáveis duradouros para o bebê levar para a vida inteira. A nossa cultura alimentar é baseada no arroz soltinho e no feijão caldoso, preparos que exigem uma adaptação para o método BLW: nessa abordagem, o alimento deve ser oferecido para o bebê pegar com a mão. Aos seis meses, a criança não consegue fazer pinça com os dedos. Para seguir o método incluindo arroz e feijão, é preciso fazer preparos como omelete de arroz e feijão ou bolinho assado de arroz e feijão, por exemplo.


Tudo sobre o projeto 'Comida de Bebê'

Conheça os profissionais envolvidos no projeto


Isso cria uma contradição à proposta original do BLW, que é a de oferecer os alimentos em sua forma original, ou o mais parecida possível, para que o bebê conheça-os e associe os sabores.

O método BLW faz todo sentido no Reino Unido e na Nova Zelândia, os países onde foi criado e aprimorado e que são líderes da epidemia global de obesidade (ao lado de Estados Unidos e Austrália). E é uma abordagem que tenta resolver um problema que é outro: como não têm um padrão alimentar tradicional, esses países são aqueles que os ultraprocessados dominam as refeições. Ao propor um método de introdução alimentar que coloca o bebê como protagonista da alimentação baseada nos alimentos que vêm da natureza no estado mais próximo possível do original, o BLW se torna uma ferramenta importante na criação de uma geração que vai ter hábitos alimentares mais saudáveis.

Mas aqui no Brasil nós temos um padrão alimentar tradicional saudável, equilibrado e que ainda facilita a vida. com arroz e feijão, metade do cardápio está resolvido. E para melhorar, a família prepara a refeição da casa, não precisa cozinhar só para o bebê.

Além disso, apesar de a abordagem BLW se mostrar promissora no contexto dos países onde surgiu, ela ainda é muito recente e não há evidência científica suficiente para embasá-la.


O projeto 'Comida de Bebê' segue as diretrizes da Organização Mundial da Saúde para alimentação responsiva e leva em conta não só o alimento que é oferecido ao bebê mas também como, onde, quando e por quem a criança é alimentada.


A alimentação responsiva envolve estar atento às sensações de fome e, principalmente, saciedade do bebê, ter paciência e alimentá-lo lentamente, respeitando seu tempo. Envolve nunca forçar o bebê a comer. Tem a ver com experimentar diferentes combinações de alimentos, sabores, texturas quando a criança não se mostrar interessada pelo alimento, mas, em todo caso, respeitá-la caso ela não queira comer. E por fim, está baseada na ideia de que o período de introdução alimentar é um momento de aprendizado e troca de afeto. A abordagem de introdução alimentar proposta aqui, vai muito além do fato de a criança alimentar-se sozinha ou com auxílio.


Mas, acima de tudo, alimentação do bebê deve ser baseada em comida de verdade, caseira, preparada a partir de alimentos que vêm da natureza e é fundamental que os sinais de fome e saciedade do bebê sejam respeitados. Ainda, a alimentação deve ser em família. É preciso resgatar o nosso padrão alimentar, que é tão saudável. No Brasil, uma em cada três crianças de 2 anos já tomou refrigerante, por exemplo. No nosso entendimento, o importante é que o bebê tenha acesso a comida de verdade e que a chegada desse momento tão importante seja um convite para melhorar a alimentação da família.


O que é BLW?

BLW vem do termo em inglês Baby-Led Weaning, introdução alimentar guiada pelo bebê. É uma abordagem de introdução alimentar em que o processo é conduzido pelo bebê. A proposta é que o bebê seja o protagonista de sua alimentação.

Como funciona?

O bebê come quando quiser, o quanto quiser e por quanto tempo quiser – sem auxílio. Ele irá se alimentar com suas próprias mãos, pegando o alimento e levando-o a boca.

Como o bebê de 6 meses consegue apenas agarrar (não tem o movimento de pinça com os dedos), o alimento deve ser cortado em forma de palito e ser maior do que o punho do bebê. Ele vai comer a parte que fica fora da mão. Conforme o bebê vai crescendo, seu sistema psicomotor evolui. Em geral, aos 9 meses, ele já consegue pegar alimentos com diferentes cortes, menores, redondos (por exemplo uma rodela de cenoura). Em seguida, podem ser oferecidos até mesmo os grãos de arroz, feijão e outras leguminosas, pois neste momento (cerca de 9-10 meses) o movimento de pinça normalmente já está presente. Por volta dos 12 meses o bebê já estará comendo a mesma alimentação da família.

 

O bebê irá comer sempre com as mãos?

Não. Os cuidadores são encorajados a deixar os talheres disponíveis desde o início da introdução alimentar. À medida que o bebê vai se desenvolvendo e acompanhando as refeições em família, nas quais todos os membros comem com talheres, ele então passa a se interessar e manuseá-los. Não é incomum encontrar bebês que, antes mesmo dos 12 meses, já comem sozinhos com a colher.

Dá para seguir as recomendações do ‘Comida de Bebê’ e adotar o que o BLW tem de bom?

Dá. O papel do projeto é recomendar o que a ciência nos traz como o ideal para que cada família faça as escolhas que melhor encaixem em sua realidade.

Por exemplo: você pode preparar o pê-efinho e dar o alimento amassado com a colher em conjunto com alimentos em pedaço para que o bebê possa explorar e associar o sabor com o alimento em seu formato original. É legal estimular o bebê a pegar a comida com as mãos, mesmo que amassada, para descobrir a textura, o cheiro e particularidades de cada alimento.