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Festa do Saci

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Estou começando a achar que o Saci está à solta. Se eu bem me lembro das histórias, ele gosta de aprontar em casa. Nas palavras do personagem Tio Barnabé, “ele azeda o leite, quebra pontas das agulhas, esconde as tesourinhas de unha, embaraça os novelos de linha, faz o dedal das costureiras cair nos buracos, bota moscas na sopa, queima o feijão que está no fogo, gora os ovos das ninhadas.”

No sábado, convidei uns amigos para jantar. Coisa de última hora. Preparei receitinhas rápidas, passei uma garrafa de vinho espumante da geladeira para o congelador... Claro que a garrafa explodiu. Ou melhor, não é tão claro assim. Nunca tinha acontecido comigo. Já tinha ouvido falar. Acho que foi o Saci. Vai ver ele queria dar umas bicadas no espumante.

Todo mundo sabe que dia 31 de outubro é o dia dele, Dia do Saci. Todo mundo menos eu. Domingo, meu sobrinho apareceu em casa com um Saci na mão. Um bonequinho, que fique claro. Não lembrava muito bem a história do Saci e resolvi pesquisar na internet, antes que meus filhos começassem com o interminável questionário sobre as origens do brinquedo do primo. Mas a informação mais freqüente era: “Em 2005, foi instituído o Dia do Saci, comemorado no dia 31 de outubro, a fim de restaurar as figuras do folclore brasileiro em contraposição ao Halloween” (que é comemorado na mesma data).

Ótimo, não precisamos comemorar o Halloween! Mas quais são as comidinhas para a festa do Saci? Bom, de champanhe já sabemos que ele gosta. Sopa nem pensar: ele bota mosca. Mas tem que ter feijão! Na festa do Saci, imagino, a comida precisa ser bem brasileira. Representativa. Tapioca dos índios... Espere, encontrei outra informação na internet: “a função do Saci era controlar e manusear tudo que estava relacionado às plantas medicinais, como guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de chás, mezinhas, beberagens e outros medicamentos feitos a partir de plantas.” Ai, ai, ai, no Dia do Saci vamos ter que soltar a bruxa. Aliás, acho que nós, cozinheiras, estamos muito mais para bruxas do que para Saci.

Para a minha surpresa, os hábitos alimentares do Saci já foram amplamente descritos por um grupo de “saciólogos”. Eles contam que, “no café-da-manhã, ele traça umas frutas, principalmente banana, e em seguida ataca um prato de mingau de fubá (é feito com leite bem quentinho e canela em cima). Depois faz um café ralinho, para tomar em caneca, ou um chá de hortelã, funcho ou outro matinho.” Mas parece que, para a festinha, seria mais adequado servir lambari frito. “Os bons são aqueles pequeninos, que não carecem nem de limpar. Frita-se do jeito que saem do rio. Uns pingos de limão caem muito bem. E cachaça, da boa, também.” Estou começando a gostar da presença do Saci na minha casa.

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