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Congresso Brasileiro de Nutrição: cozinhar é importante

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Então você já conhece bem o meu discurso. Sabe que eu vivo dizendo que cozinhar é como ler e escrever (todo mundo devia saber!) e que alimentação é um assunto da casa (não da dona de casa!). Meu trabalho é levar as pessoas para a cozinha e eu uso todos os meios para isso (quase todos: chantagem emocional e golpe de judô, ainda não).

Mas no mês passado eu fui defender essas mesmas ideias junto a um público bem diferente. A convite do Ministério da Saúde, participei do Congresso Brasileiro de Nutrição, um encontro que acontece a cada dois anos e reúne nutricionistas de todo o País.

O evento é enorme e, este ano, foi realizado em Brasília. As discussões passam por diversos temas, dos clínicos aos administrativos. E eu, que não sou nutricionista nem indico dietas para o público, fiquei feliz de ver que há uma convergência com o trabalho feito aqui no Panelinha, de valorizar a comida de verdade e de, cada vez mais, considerar que alimentação saudável passa pela cozinha de casa.

Durante o Congresso, participei de duas conversas. No estande do Ministério da Saúde, o assunto era introdução alimentar. Fui chamada para contar um pouco sobre o projeto Comida de Bebê, que é livro, série no YouTubepágina aqui no Panelinha e foi desenvolvido em parceria com o Nupens-USP, o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde.

A conversa foi além do projeto, claro. Estavam comigo a professora-doutora Inês Rugani, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Ela é a responsável pela revisão em andamento do Guia Alimentar para Menores de Dois Anos, documento oficial do Ministério da Saúde com recomendações para a fase de introdução alimentar. É também coordenadora do Grupo de Trabalho Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e atuou como secretária executiva do Congresso Mundial de Nutrição e saúde pública World Nutrition Rio2012.

A prof. Inês estava mediando – com brilho! – o papo entre mim e a Ekaterine Karageorgiadis, advogada e coordenadora do projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, a organização que mais trabalha para controlar a publicidade voltada a crianças. Ela deu uma aula sobre as pegadinhas que a indústria de alimentos usa na publicidade que mira crianças. Eu mesma aprendi um montão. 

Ficou evidente que os desafios da alimentação das crianças, seja na introdução alimentar, seja depois, vão muito além das escolhas da família: há uma força imensa para que os ultraprocessados entrem na vida das pessoas desde cedo. É preciso muita resistência – e muito pê-efinho! 

A outra conversa foi na forma de entrevista, conduzida pela dupla João Peres e Moriti Neto, do blog O Joio e o Trigo. Os dois jornalistas tocam o site com reportagens investigativas na área de alimentação. A atividade foi no estande da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, dirigida pela Paula Johns, que você provavelmente não conhece.

Paula é das pessoas que mais trabalham pela alimentação de nossos filhos. E ela já fez muito pela sua saúde. Foi ela quem puxou a luta antitabagista no Brasil e encabeçou a revolução do controle da indústria do cigarro (a proibição do fumo em lugares públicos, as advertências nas embalagens, a limitação de publicidade). Socióloga, diretora-presidente da Aliança de Controle ao Tabagismo, atua no terceiro setor há 20 anos, na coordenação de projetos ligados à promoção dos direitos humanos, equidade de gênero, preservação do meio ambiente e saúde pública. Agora, a Aliança trabalha para alertar a população sobre os danos causados pelos produtos ultraprocessados à saúde.

Foi uma honra estar ao lado dessa turma para falar sobre alimentação e saúde. Saí desse encontro com mais convicção de que cozinhar é fundamental. Em cada troca de ideias ficou ainda mais claro que o caminho para uma alimentação saudável passa pela cozinha de casa. Da minha, da sua, de todos nós.