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Iogurte: será que todos são saudáveis?

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Na minha infância, iogurte era um alimento bem frequente em casa. Era só abrir a geladeira que lá estava o tigelão, cheio de iogurte, que depois era servido em cumbucas individuais. Podia ganhar uma colherada generosa de mel ou um pouco de açúcar ou ainda um tanto de geleia. Era assim que comíamos iogurte. Ou era batido com a mesma medida de água, umas pedras de gelo e açúcar. Um clássico na casa dos meus pais!

Quando o assunto é iogurte, é isso tudo que vem à cabeça. E também os potinhos comprados na versão natural e sem açúcar, que às vezes eram servidos de manhã, no lugar do caseiro.

Levou algum tempo até eu entender que, para a maioria das pessoas, iogurte é outra coisa. Iogurte é tudo que é vendido como iogurte, seja a bandeja com vários potinhos grudados, que geralmente tem sabor de alguma fruta, ou ainda aquele produto para regular o intestino. Ah, e também a bebida, muitas vezes light, da turma que vive de dieta vive chacoalhando antes de beber.

Esta semana, vou falar muito de iogurte. Por isso, achei que precisávamos calibrar o entendimento do que é iogurte de verdade, antes de chegarmos às receitas ou às sugestões de como aproveitar o alimento em deliciosas preparações culinárias – seja ele caseiro ou comprado pronto. Vamos avaliar se tudo que é vendido como iogurte é comida de verdade ou se, até nesta categoria de alimentos, há os ultraprocessados, disfarçados de alimento saudável.

Iogurte de verdade
Então vamos direto ao ponto: iogurte é feito a partir de leite e fermento lácteo. E, nesse caso, é considerado um alimento minimamente processado. Ou seja, faz parte do grupo que deveria ser a base da nossa alimentação.

Ele é gostoso, versátil, tem fama de saudável… É justamente por isso que o iogurte se tornou uma grande armadilhas para quem busca uma alimentação equilibrada. O consumidor menos informado nem se preocupa em ler os ingredientes listados no rótulo. Afinal, ele está comprando uma excelente opção de lanche ou até de sobremesa. Será?

Iogurte grego
Como escolher? É simples, pela lista de ingredientes. Se além do leite e do fermento lácteo houver aditivos químicos, como amido modificado, maltodextrina, espessante carboximetilcelulose, estabilizantes goma xantana e goma guar, conservante sorbato de potássio, estabilizante gelatina, o iogurte, seja ele tipo grego ou não, deixou de ser uma opção saudável. Trata-se de imitação de comida, ou alimento ultraprocessado. (Olha que na listinha acima nem chegamos nos corantes e aromatizantes…)

Obs: deixe o iogurte natural escorrendo por algumas horas numa peneira forrada com pano de prato e o resultado é um iogurte ultracremoso de verdade.

Reguladores
A categoria regulador de intestino, que costuma conter os mesmos aditivos químicos (espessantes, corantes, aromatizantes), tem ainda mais um problema: a medicalização da comida. Comida é comida, remédio é remédio. Um é prazer, o outro, tratamento de doença. Mas além de criar uma relação ruim com a comida, a medicalização também faz com que as pessoas percam a autonomia na hora de comer. É como se uma ‘recomendação’ valesse mais do que a própria vontade. O marketing entra em cena e faz com que as pessoas acreditem que precisam consumir o alimento todos os dias.


Vamos pensar juntos: o iogurte natural, sem aditivos químicos, é um alimento minimamente processado. Isso significa que você deva comer iogurte todos os dias? Respondo com outra pergunta: o pepino pertence a melhor categoria de alimentos, os in natura. Isso significa que você precise comer pepino todos os dias para manter uma alimentação saudável? Vamos lembrar que alimentação saudável implica variação. E mais, no caso do iogurte, diferente do pepino, nem sempre o potinho contém iogurte de verdade.

Obs: se você tem uma alimentação balanceada e se hidrata de maneira adequada, não precisa comer um iogurte (ou pepino) diariamente para regularizar o intestino. Quem tem uma alimentação saudável de verdade pode comer de tudo e não precisa de nenhum alimento para cumprir uma função específica.

Iogurte natural
É importante entender que industrializado não significa ultraprocessado. Você vai encontrar no mercado opções de iogurtes feitos de leite e fermento lácteo. Pode consumir tranquilamente. Quase todas as marcas têm a mesma formulação. E prefira as versões sem açúcar, mesmo que você vá adoçar em casa. Cuidado, porém, com as produtos light, diet e zero calorias. Eles podem conter adoçantes sintéticos, que são aditivos químicos.

Os adoçantes sintéticos, no longo prazo, oferecem uma segunda camada de problema: são tão doces que prejudicam o paladar. A percepção de dulçor é tão intensa, que você começa a estranhar a acidez natural do iogurte e das frutas, o amargor do café… Começa a colocar adoçante em tudo – e tudo vai ficando com o mesmo gosto.

Iogurte caseiro
Preparar iogurte em casa é muito fácil. Na primeira leva, você mistura um litro de leite morno com um pote de iogurte natural comprado no supermercado e deixar fermentar por umas 12 horas, antes de levar a geladeira. A partir da segunda, por usar uma “isca” do seu próprio iogurte. É mais barato e mais saudável, uma vez que você tem o controle sobre os ingredientes. E você ainda pode ajustar conforme seu gosto. Quer deixar uma textura mais densa? É só escorrer um pouco (coloque num pano sobre uma peneira por algumas horas). Quer com morango? Misture a fruta batida ou mesmo com geleia de morango. E assim vai.

Foto: Editora Panelinha / por Ricardo Toscani

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