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Como foi a palestra Dieta Brasileira no Taste of São Paulo

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No domingo, estive no Taste of São Paulo, o festival anual de comida que reúne restaurantes sob a curadoria do Luiz Américo Camargo (sim, o autor dos livros Pão Nosso e Direto ao Pão!).

Participei do evento com minha palestra Dieta Brasileira. E nem o frio atrapalhou: sob a tenda do palco principal, o público se acomodou em cangas no melhor clima piquenique para a conversa, que continuou na tenda do pré-lançamento do meu novo livro, Só para Um: alimentação saudável para quem mora sozinho

Antes que você pense que a dieta brasileira é um regime de emagrecimento, explico: dieta refere-se ao que comemos habitualmente, ao nosso padrão alimentar tradicional. A dieta brasileira, portanto, trata dos costumes alimentares do nosso país – assim como a dieta mediterrânea se refere, em sua origem, à cultura gastronômica dos países mediterrâneos. É o oposto da dieta da moda, que ora é light, diet, depois sem glúten, low carb...

Os Estados Unidos são mestres em lançar modismos nessa área, justamente porque eles não têm uma referência própria de alimentação tradicional balanceada. E sofrem bastante com isso: o país concentra o maior número de pessoas obesas no mundo – e apresenta taxas altíssimas de doenças relacionadas ao excesso de peso. 

Se por um lado o termo “dieta brasileira” não é difundido, por outro, na prática, a dieta existe e funciona há centenas de anos. É como se fosse uma dieta criada e testada pela população, a partir dos alimentos de cada região. Se não fosse boa, nós não estaríamos por aqui.

O que engorda não é comer arroz e feijão, pelo contrário! Os índices de obesidade no Brasil foram aumentando à medida que a população foi se afastando da cozinha, e trocando a comida de verdade por produtos ultraprocessados.

Nem todo mundo se dá conta de que não precisamos de ideias mirabolantes para comer bem e manter a saúde. O que deixa a alimentação balanceada não é um único superalimento nem excluir um nutriente, e sim a composição dos grupos de alimentos. Pense no pê-efe, ou prato feito, aquele que você comeu durante a infância.

O bom e velho pê-efe reúne quatro grupos alimentares que formam uma refeição balanceada (saborosa e também acessível): um cereal ou tubérculo (geralmente o arroz, mas pode ter mandioca), uma leguminosa (quase sempre o feijão), uma hortaliça (que pode ser um legume ou uma verdura ou, melhor ainda, ambos!) e um pedaço de carne (que pode ser bovina, suína, de peixe, de frango...). Quem preferir, claro, pode substituir a carne por outro tipo de proteína. A combinação de arroz e feijão, aliás, já é uma incrível fonte de proteína!

Não é à toa que o pê-efe tem lugar de honra em todos os meus livros da coleção Já pra Cozinha. No livro de introdução alimentar, mostrei que comida de bebê não é papinha, é pê-efinho! Com pequenos ajustes de tempero e consistência, a mesma refeição da família é servida para o bebê. Em Cozinha a Quatro Mãos, o pê-efe está no capítulo central, resolvendo o almoço do dia a dia, para garantir que o casal não ganhe aqueles quilos a mais depois do casamento. E, no mais novo livro da coleção, Só para Um (vai ter pré-lançamento no Taste, com sessão de carimbautógrafo!), você vai descobrir que o prato feito é uma alternativa extremamente prática para quem mora sozinho.

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Na palestra, destrinchei dieta brasileira para mostrar que a comida de verdade não é o inimigo! No fundo, manter uma dieta saudável é muito simples, porque é algo que os brasileiros dominam há gerações. Mas precisamos ganhar autonomia na cozinha para fazer melhores escolhas – e fazer as pazes com a comida.