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Mária Telkes, a Rainha do Sol

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Em uma época em que poucas pessoas se preocupavam com a preservação da natureza, muito menos com fontes de energia limpas, Mária Telkes (1900-1995) já estudava e divulgava a energia solar. Tanto que ficou conhecida como a Rainha do Sol. A biografia dessa cientista e inventora pioneira inspira este episódio de 'Cardápios com história'.

Ainda adolescente, Mária leu um livro sobre energia solar e se apaixonou pela ideia. Aos 24 anos, ela já era doutora pela Universidade de Budapeste. Nessa mesma época, foi visitar um primo nos Estados Unidos e acabou ficando por lá, onde teve uma carreira brilhante dedicada ao estudo da energia solar. 

Aos 48 anos, ela realizou um dos seus grandes sonhos: construir uma casa inteira aquecida com energia solar. E mais legal ainda: esse projeto inovador era todo liderado por mulheres, às portas da década de 1950! A Dover Sun House, em Dover, Massachusetts, mostrou que dava para  armazenar o aquecimento solar por longos períodos e usar até nos dias nublados.


Pois é, além de pesquisadora, ela era inventora. Na década de 40, ela criou um destilador que transformava água do mar em água potável. Claro, movido a energia solar. Esse equipamento é usado até hoje! Em 1953, ela criou um dos primeiros fornos solares de sucesso do mundo. Ela queria um forno que pudesse ser usado por pessoas de qualquer lugar, mesmo nos lugares mais isolados.


E o forno solar nos leva para a convidada do dia no Estúdio Panelinha. Quem acompanha a Neide Rigo no Instagram sabe que volta e meia ela usa forno solar, no quintal da casa dela. Num país como o Brasil, que tem sol o ano inteiro e em que muitas pessoas usam lenha e carvão no dia a dia, aumentando riscos de acidente e danos à saúde, o forno solar deveria ser mais difundido. Mas não foi só por causa do forno solar que eu chamei a Neide para vir cozinhar comigo. Ela também é craque no preparo do spaetzle, massa caseira bem comum no leste europeu, que vai ser o nosso prato principal neste Cardápio com história e que a Neide pesquisa há anos. Ela vai mostrar uma versão abrasileirada, com folhas de taioba.

 

 

Cardápio do dia

Para celebrar a biografia de Mária Telkes, fui buscar sabores da cozinha húngara, que faz parte da minha história. Pois é, o 'Cardápio com história' de hoje tem, para mim, uma pitada de memória afetiva.


A gente começa com uma sopa de tomate, pimentão e abobrinha, o lecso (que se pronuncia lechó). Originalmente, essa receita é um ensopado. Mas na casa da minha avó, que era húngara, o lecso era servido como sopa. Então, já peço desculpas pra comunidade húngara no Brasil, mas é assim que eu aprendi a comer esse prato e assim que vou preparar hoje.

 


A estrela do prato principal é o spaetzle, um macarrão caseiro, comum no leste europeu. A Neide Rigo, conhecida por suas pesquisas culinárias nada convencionais, vem até o Estúdio para mostrar um spaetzle preparado com folhas de taioba. Uma versão com um toque bem brasileiro. Para finalizar, vai repolho fatiado fininho e refogado com kummel, molho de manteiga e bacon. Uma combinação incrível!


Falando em combinação de sabores incrível, a sobremesa tem uma bem clássica: chocolate, damasco e nozes. Os três se unem na massa de um bolo denso, que fica entre o brownie e o mudcake. É bom demais, ainda mais servido gelado, com sorvete e calda de damasco.


Plano de ataque


A essa altura você já deve estar craque e sabe que vamos começar pelos pratos que podem ser feitos com bastante antecedência, ou que levam mais tempo pra cozinhar. Como quero servir o bolo gelado, vou começar por ele. Dá até pra preparar no dia anterior. Aliás, a sopa também pode ser feita na véspera, depois é só aquecer e servir.


Por fim, fazemos o spaetzle. Até dá para cozinhar a massa, resfriar rapidamente e guardar na geladeira por até dois dias. Aí na hora de servir, passa pela água fervente. Agora, o repolho refogado, com molho de manteiga, é do tipo preparou, serviu.


Cardápios com história vai ao ar nesta terça (3) às 20h45.