Banner do Blog

5 mudanças de hábitos dos brasileiros nos últimos 10 anos  

Imagem do post

 

O Ministério da Saúde divulgou na semana passada os resultados de uma pesquisa nacional que aponta mudanças importantes (tanto positivas quanto negativas) nos últimos dez anos. Foram levantadas informações sobre hábitos de alimentação, exercício físico, a relação entre peso e altura e a existência de doenças crônicas.

 Uma das ferramentas para estimular as mudanças de hábito tem sido o "Guia Alimentar para a População Brasileira", o documento revolucionário coordenado pelo médico e pesquisador Carlos Augusto Monteiro e sua equipe do Nupens (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da Faculdade de Saúde Pública da USP) e publicado pelo Ministério em 2014.  Há mudanças importantes ocorrendo e outras ainda por serem conquistadas, como mostram os resultados da pesquisa.


Artigo: leia a análise do professor Monteiro sobre a pesquisa publicada no jornal O Globo.

Classificação: entenda as categorias dos alimentos.


1. Menos refrigerantes e sucos artificiais – e isso é bom!

O refrigerante é um dos ícones dos ultraprocessados: um tipo de bebida completamente artificial, com todo tipo de aditivo químico e com muito, muito açúcar (ou outros adoçantes artificiais no caso dos diets e lights). A boa notícia é que os refrigerantes e sucos artificiais vêm perdendo espaço na rotina dos brasileiros. Segundo a pesquisa, em 2007, 30,9% dos entrevistados tomavam essas bebidas em cinco ou mais dias da semana. Em 2016, esse índice caiu para 16,5%.


Na prática. Tá com sede? Tome água! E, para variar, vale aromatizar com limão, alecrim, laranja, hortelã e até carambola. Ou então prepare seu próprio suco de frutas. Se for comprar suco pronto, atenção ao rótulo. O melhor é o "suco integral", que por lei não pode ter conservantes nem ser adoçado artificialmente. E o pior, de longe, é o chamado "néctar".

 

2. Mais frutas e hortaliças – mas ainda é pouco...

A gente sempre diz isso aqui, mas não custa repetir: frutas, legumes, hortaliças e raízes formam a base de uma alimentação saudável de verdade.

A pesquisa do Ministério da Saúde mostra que na última década os brasileiros aumentaram um pouco o consumo de frutas e hortaliças (de 33% em 2008 para 35,2% em 2016). O problema é que essa é ainda uma mudança muito lenta e que não segue sempre em ascendência. Em 2015, o índice tinha subido para 37,6%, mas voltou a cair.

De todo jeito, é muito pouco. O resultado significa que apenas um em cada três adultos come frutas e hortaliças em cinco ou mais dias da semana.


Na prática. Quer ideias para variar e incluir mais alimentos no seu dia a dia? Dê uma  olhada no projeto O que Tem na Geladeira?. Vai mudar o que você pensa sobre abobrinha, sobre couve-flor e até sobre cebola.

 

3. Menos feijão – e isso é muito ruim!

O consumo de feijão está em clara queda desde de 2012. O número de brasileiros que comem feijão regularmente caiu de 67,5% em 2012 para 61,3% em 2016.

Esse resultado aponta uma questão preocupante: estamos abandonando um padrão alimentar muito poderoso. A combinação de arroz com feijão, que é a base da dieta dos brasileiros com diversas variações pelo país todo, é comida de verdade, saudável e nutricionalmente equilibrada.

Mas ela vem sendo substituída por imitação de comida (os ultraprocessados do time da lasanha congelada e dos empanados de frango) ou por modismos de poucos carboidratos, nenhum glúten ou superalimentos (uma hora é quinoa, outra hora é batata-doce, e por aí vai).


Na prática. Arroz com feijão é o tema da temporada atual do Cozinha Prática. A cada episódio, Rita Lobo prepara um pê-efe diferente para valorizar essa dupla tão brasileira e mostrar que dá, sim, para comer arroz com feijão todo dia variando preparos, temperos e combinações. Além disso, na série Refogado, que está no ar no canal Panelinha no YouTube, tem episódio dedicado ao arroz e ao feijão.

Assista: Refogado, série exclusiva no canal Panelinha no YouTube.

 

4. Mais sobrepeso e obesidade – e isso tem jeito!

Nos últimos dez anos, a quantidade de brasileiros obesos aumentou 60%. O número é alarmante e subiu de 11,8% da população total em 2016 para 18,9% em 2015. A boa notícia é que o índice ficou estável em 2016, o que pode significar uma mudança positiva para os próximos anos.

O número de brasileiros com sobrepeso, que vinha subindo quase todos os anos desde 2006 (42,6%), ficou estável no último ano (53,8%). Mas também esse número é preocupante, porque significa que mais da metade da população está acima do peso considerado normal para sua altura.


Na prática. Quem cozinha tem mais saúde. Preparar a própria comida, a partir de alimentos in natura e minimamente processados, permite controlar a quantidade de açúcar, de sal e de gordura de uma maneira que é impossível com os ultraprocessados, que já vêm prontos e temperados, inclusive com açúcar e sal escondidos onde você nem imagina (tem açúcar no macarrão instantâneo, sabia?). Para isso, use o banco de receitas do Panelinha! Veja ideias de preparos com alimentos do dia a dia na lista de receitas deste post.

 

5. Mais diabetes e hipertensão – e isso é perigoso...

Uma alimentação ruim tem impacto no excesso de peso que leva a doenças crônicas que pioram muito a qualidade de vida e podem matar.

Existem outros fatores em jogo, é claro, mas está muito bem estabelecida pela ciência a relação entre a qualidade da comida e o desenvolvimento de doenças.

A pesquisa mostrou um aumento no índice de brasileiros com diabetes (de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016) e com hipertensão (de 22,5% para 25,7%). Nas duas doenças, as mulheres têm a maior parte dos diagnósticos.

 

Saiba mais: confira os dados reunidos pelo Ministério da Saúde.