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Por que comer à mesa

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Quando as lives do meio-dia estão chegando ao fim, dou uma espiada nos comentários. Sempre quero saber se os seguidores aproveitaram! E, nesse momento em que o prato já está montado, chegam muitos comentários sobre o capricho da montagem. É uma delícia ver que tanta gente repara nisso.

Montar o prato, sentar à mesa e comer com atenção é uma parte importantíssima da alimentação saudável. E é também um ato de resistência, já que tudo empurra a refeição para ser feita diante de uma tela e, de preferência, bem rapidinho.

Uma das características dos produtos ultraprocessados é que eles desviam a atenção da comida: é só abrir o pacote, sentar no sofá e ligar a TV. Dá para comer andando, comer dirigindo. E, de repente, sem que a pessoa se dê conta, o pacote acabou. E pior, ela nem lembra o que comeu.

O Guia Alimentar para a População Brasileira dedica um capítulo inteiro ao momento da refeição. São três as orientações básicas:

1. comer com regularidade e com atenção;
2. comer em ambientes apropriados;
3. comer em companhia.

Neste período de quarentena, a questão da companhia depende muito da sua configuração doméstica. Mas tem sido muito interessante ouvir tantos relatos de gente que retomou o hábito das refeições em família – aqui em casa mesmo, sem os horários conflitantes de trabalho e escola, estamos fazendo as refeições todos juntos, depois de muitos anos tendo apenas o jantar em família. Comer junto alimenta as relações. 

Mesmo quem está sozinho pode (e deve!) seguir as orientações do Guia. Uma das vantagens da dieta brasileira, simbolizada pelo arroz com feijão, é que ela ajuda a marcar as refeições. É o oposto dos ultraprocessados: não se come um prato de arroz com feijão andando, dirigindo, teclando. Precisa de garfo e faca, precisa de uma mesa! E isso é mais um ponto para o pê-efe.

Com um prato montado no capricho, incluindo hortaliças, arroz e feijão, a tendência é prestar mais atenção ao que estamos comendo. Se conseguir mastigar um pouco mais devagar, melhor ainda! Primeiro, porque você dá uma forcinha para o aparelho digestivo – ele não tem que trabalhar a mais, nem produzir ácido em excesso, o que causa refluxo ou azia. Segundo, porque você vai comer na medida. Dá tempo de o seu corpo reagir ao alimento e entender quando está saciado.

Se a falta de companhia for complicada, pegue um livro ou marque um almoço à distância via vídeo. Mas fuja dos feeds, das atualizações incessantes e de ficar digitando mensagem ou, pior, gravando áudio (falar de boca cheia continua sendo feio!).

Não existe lado bom na pandemia. Estamos vivendo tempos difíceis. Mas no meio de todos os desafios, há muitos convites para rever hábitos que fomos deixando de lado. E sentar à mesa pode ser um deles. 

Na live de quarta, preparei um quiabo grelhado com molho picante delicioso, além de legumes assados, que servi com lentilha e arroz integral. Na de quinta, de acordo com o que a maioria pediu na live, vai ter abobrinha e cenoura. E, por conta própria, vou incluir umas folhas de escarola! Vieram muitos maços na minha cesta de orgânicos. Espero você ao meio-dia no @Panelinha_RitaLobo, no Instagram.